Os avanços na odontologia moderna têm proporcionado soluções cada vez mais eficazes e estéticas para a substituição de dentes perdidos, e os implantes dentários são um excelente exemplo disso.
Os implantes dentários oferecem uma base sólida para a fixação de componentes protéticos, restaurando tanto a função mastigatória quanto a aparência natural dos sorrisos.
Uma parte crucial desse processo é a escolha adequada dos componentes protéticos para implantes dentários, que incluem desde as coroas que imitam os dentes até as estruturas de suporte que garantem a estabilidade do sistema.
Diante disso, é essencial compreender os diversos tipos de componentes protéticos disponíveis, suas características e indicações específicas.
Isso não apenas assegura uma restauração durável e bem-sucedida, mas também contribui para a satisfação e confiança duradouras dos pacientes.
A seguir, serão explicados os principais tipos de componentes protéticos para implantes dentários, lançando luz sobre como cada um desempenha um papel crucial na entrega de sorrisos estéticos e estáveis.
Sem dúvidas, um dos maiores desafios no entendimento dos componentes protéticos sobre implantes é a diversidade e quantidade de peças e as suas respectivas funções.
Levando em consideração uma quantidade relevante de empresas que fabricam esses componentes, as peças podem se apresentar com as mais variadas formas e diferentes designs.
No entanto, existe uma certa “padronização” em relação à sua utilização para a confecção da prótese sobre implante e a sua função no fluxo de trabalho é a mesma. Por isso se faz tão importante reconhecer e identificar esses componentes, bem como sua função.
Os parafusos de cobertura (também chamados de “tampa” de implante) são dispositivos conectados diretamente ao implante instalado dentro do osso da maxila ou da mandíbula, com o objetivo de proteger as roscas internas e a cabeça do implante durante a fase de cicatrização.
Assim, devem ser utilizados, quando apropriado, em conjunto com o implante (da mesma marca comercial) durante a cicatrização, de modo a proteger a plataforma do implante e as roscas internas do crescimento ósseo excessivo local.
Cicatrizadores são dispositivos confeccionados normalmente em titânio e rosqueados diretamente aos implantes, de acordo com o sistema (Cone Morse ou HE, por exemplo).
Sua função é proporcionar aos tecidos moles uma cicatrização adequada e modelação do tecido para facilitar e viabilizar o acesso à plataforma do implante, visando a confecção da futura prótese.
Geralmente, o cicatrizador é uma peça com altura e forma arredondada que estimula a cicatrização da gengiva em formato de orifício (ou pode ser personalizado conforme o elemento dentário a ser reabilitado), facilitando a instalação do pilar e a coroa definitiva.
Além disso, o cicatrizador pode proteger o implante enquanto ocorre a osseointegração.
Os cicatrizadores podem variar de acordo com a altura e o diâmetro. A altura do cicatrizador pode mudar de acordo com a altura da mucosa adjacente.
O diâmetro deve ser ajustado de acordo com o perfil de emergência do dente a ser reabilitado (largo, regular ou estreito).
Em sua colocação, o parafuso de cicatrização normalmente é instalado no momento da reabertura protética, ou seja, na segunda etapa cirúrgica (implantes de 2 estágios).
Em algumas situações clínicas onde se conseguiu boa estabilidade na primeira etapa cirúrgica (travamento inicial), tipo ósseo favorável, boa altura e espessura de implante, pode-se posicionar o cicatrizador já neste momento, evitando assim a necessidade de uma segunda intervenção cirúrgica (e ganhando tempo no tratamento).
Assim, o cicatrizador fica exposto ao meio bucal, na mesma altura gengival ou até 1mm acima.
Os transferentes são dispositivos pré-fabricados que se acoplam à plataforma dos implantes ou dos diferentes tipos de pilares, cuja fixação é feita por parafusos passantes, por parafusos integrados ou podem ser encaixados por justaposição.
Os transferentes de moldagem são peças que desempenham um papel crucial na fase de moldagem do processo de restauração de implantes dentários.
Eles são usados para criar uma impressão precisa da área em que os implantes foram inseridos e seus componentes associados, como conexões e bases.
Eles têm uma forma que corresponde à conexão do implante e isso permite que se alinhem com precisão aos implantes e sirvam como pontos de referência para a moldagem.
Existem dois tipos de transferentes: moldeira aberta e moldeira fechada. Os transferentes de moldeira fechada são parafusados sobre a plataforma do implante ou plataforma do pilar, usados para que seja feita a moldagem das transferências desses implantes osseointegrados da arcada.
Estes transferentes apresentam entalhes em sua superfície. Eles ficam em boca após a moldagem realizada com moldeira de estoque, depois são retirados e conectados à cópia do implante (análogo).
Já os transferentes de moldeira aberta são fixados nos implantes por meio de parafusos passantes.
Para isso, é utilizada a moldeira aberta (existem moldeiras com uma abertura para facilitar o encaixe, pois permite visualizar todo o procedimento e a sua correta posição ou o profissional pode preparar a moldeira individual do paciente) para a passagem para o acesso ao parafuso de fixação do transferente na região do implante.
Na retirada do molde, os transferentes são desparafusados e retirados da cavidade oral. Os análogos são então parafusados sobre os parafusos-guia e o molde de silicone é usado para confecção do modelo em gesso.
Os análogos são componentes pré-fabricados que funcionam como cópias (réplicas) dos implantes ao nível de plataforma ou ao nível do pilar.
Eles “imitam” a plataforma da área e a posição do implante em um modelo. Logo, o análogo é um cilindro que possui a mesma conexão em sua parte coronal que o implante que está na boca do paciente.
Os análogos podem ter uma forma diferente, dependendo do tipo de modelo final; em gesso ou impresso em 3D.
Uma vez registrada a posição tridimensional do implante com uma moldagem (física ou digital), o técnico em prótese dentária recebe um modelo no qual a restauração pode ser confeccionada nesse análogo do implante.
A função dos parafusos é criar uma força de travamento entre as duas partes da conexão, implante/pilar e pilar/prótese, de forma a prevenir a separação, perda da tensão e evitar afrouxamento quando exposto a vibração ou cargas cíclicas da mastigação.
Os pilares são dispositivos que podem ser pré-fabricados ou personalizados, utilizados para fazer a ligação entre o implante e a prótese.
Eles possuem vários sinônimos, como intermediários, conexões ou conectores, abutments e componente transmucoso.
Os pilares para implante devem satisfazer os requisitos biológicos, funcionais e estéticos e o material deve ser biocompatível, promovendo adesão epitelial, e não provocar a fixação de biofilme.
Funcionalmente, o pilar deve possuir propriedades mecânicas suficientes para resistir e transmitir as forças ao implante e ao osso de suporte.
Nessa perspectiva, existem 2 formas de utilizá-los:
Nessa perspectiva, os pilares podem ser classificados de acordo com o tipo de próteses parafusadas ou cimentadas.
Os pilares para prótese parafusada possuem um fator importante: a reversibilidade. Isso pode ser extremamente necessário para as reabilitações protéticas com implantes dentários.
Os pilares para esse tipo de prótese possuem vários tipos:
Já os pilares para prótese cimentada são unidos através da cimentação e possuem várias formas:
Há também os pilares para prótese cimentada-parafusada. Neste tipo, os procedimentos são os mesmos utilizados para as próteses cimentadas: depois da seleção e o preparo do pilar, o técnico realiza o enceramento e a fundição (ou o preparo, para o caso de sistemas cerâmicos) de um coping para seguir com a aplicação da porcelana. A técnica parece à de confecção de um coping para prótese cimentada convencional, porém é feito um orifício em região oclusal (ou de cíngulo) para acesso ao parafuso do pilar.
Os componentes acessórios podem ser classificados em cilindros para provisórios, cilindros para definitivos e cilindros para proteção de pilar. Todos esses componentes são dispositivos pré-fabricados.
Para próteses provisórias, geralmente são utilizados cilindros em titânio, para conferir mais resistência (aqui, utilizam-se as técnicas da faceta comercial ou resina esculpida).
Os cilindros de proteção de pilar são componentes instalados sobre pilares intermediários que possuem a função de impedir que o tecido peri-implantar invada a plataforma ou base dele.
Os cilindros para definitivos serão instalados sobre a réplica do pilar no modelo de trabalho e passará pela etapa de enceramento e fundição.
As chaves variam de acordo com a empresa fabricante e são específicas para determinado tipo de parafuso.
Podem ser:
hexagonais (o hexágono variar entre 0.9mm, 1,2mm e 1,6mm);
quadradas (usadas em parafusos quadrados, transmitindo um torque melhor aos parafusos e se desgastam menos do que as hexagonais);
cônicas (usadas em pilares e mini pilares cônicos e sua diferença é que ela abraça a cabeça do parafuso);
e tipo fenda (no início, eram usadas para parafusos tipo fenda).
As chaves penetrarão nos orifícios dos parafusos, para que o torque possa ser aplicado. Elas podem ser disponibilizadas em 3 tamanhos: longa, média ou curta.
Para realizar o aperto do parafuso, são utilizadas as catracas do tipo torquímetro. Nele, são adaptadas as chaves protéticas e mover a haste até a obtenção do torque desejado.
Indicado para próteses fixas de múltiplos elementos, em situações de pequeno requerimento estético e implantes muito inclinados.
Também é muito empregado em reabilitações com Overdentures, para a confecção de barra-clipe.
Atualmente encontra-se em desuso, pois pode ser substituído com resultados mais favoráveis pelo microunit.
Com o aumento da necessidade estética, foi desenvolvido o pilar EsthetiCone®, substituindo a forma cilíndrica do pilar Standard ® por uma forma cônica, daí seu nome.
É indicado para próteses aparafusadas, unitárias ou múltiplas, onde a estética tem relevância.
Algumas empresas já́ deixaram de fabricar esse pilar protético, passando a adotar apenas o pilar do tipo Multiunit ou Microunit, ou com outra terminologia, para as próteses com vários retentores.
Com as limitações oferecidas pelos pilares cônicos ou esteticone, em 1995 foi introduzido ao mercado da odontologia um pilar que exigia apenas 4,5 mm de distância interoclusal para pilares retos e 5,5 mm para minipilares angulados.
Esse pilar é menor em altura, chamado Miruscone (Nobel-Pharma®), podendo ser usado em próteses unitárias ou múltiplas. Os componentes angulados podem ter angulações variadas de 17º ou 30º.
Atualmente, o desenho desse pilar foi modificado levando o nome de Multi-unit (Nobel®) e o Micro Unit (Conexão®) pois apresentam uma peculiaridade: a inexistência de hexágono interno na base do pilar.
O objetivo dessa alteração foi facilitar a instalação do componente ao implante, muitas vezes dificultada pela necessidade de um perfeito assentamento entre os hexágonos em implantes HE.
Para os implantes do tipo hexágono interno, esses pilares possuem o mesmo número de lados para se ajustar os implantes.
Enquanto isso, para o sistema Cone Morse, os pilares trazem a forma interna também do implante para um adequado encaixe.
Para os pilares cônicos seus equivalentes seriam:
São pilares indicados exclusivamente para prótese unitárias cimentadas. O pilar será aparafusado ao implante, e uma coroa metaloplástica, metalocerâmica ou ceramocerâmica será então assentada e cimentada sobre esse pilar protético.
Devido à grande quantidade de pilares pré-fabricados e fabricados, está cada vez mais em desuso.
Esses pilares pré-fabricados são apresentados em duas versões: sólido e com parafuso passante.
O munhão universal sólido é um componente de peça única e deve ser indicado em situações de implantes bem-posicionados, onde não haverá necessidade de adaptações no componente.
Já o de parafuso passante apresenta a opção de preparos em todo o contorno podendo ser adaptado em casos de inclinações de implantes ou em relação ao contorno cervical, onde se deseja personalizações de áreas proximais.
O munhão de parafuso passante permite preparo em ambiente laboratorial.
No entanto, se pequenos preparos forem necessários na parte ativa, onde a prótese é cimentada, para resolver algum problema de limitação do espaço interoclusal, sem a necessidade de modificação no término, podem ser realizados diretamente em boca.
Nesta situação, os acessórios não podem mais ser utilizados pelo técnico e o preparo deve ser feito para depois se aplicar o torque. Esses pilares podem ser retos ou angulados.
A principal diferença desse grupo é a necessidade de ajustes para adequá-los às particularidades dos tecidos que os cercam, antes de instalar a prótese.
Em alguns casos, se assemelham aos trabalhos convencionalmente realizados em dentes naturais, pois para esse tipo de pilar a opção protética clássica é a cimentada.
Os pilares metálicos personalizáveis por desgaste são pilares extremamente versáteis e que, de forma rápida e extremamente fácil, podem ser adequados a cada situação, sem a necessidade de procedimentos laboratoriais elaborados.
Exemplos deles são: o Munhão Antirrotacional (Conexão®), Munhão Anatômico Cone Morse (Neodent®). Esses pilares podem ser retos ou angulados.
É disponível em material cerâmico de alta resistência como em alumina ou zircônia. A região anterior é a mais indicada, onde se justifica seu uso pelas propriedades estéticas do material.
Esses componentes destacam-se pela estética, além das características dos pilares de desgaste metálicos.
A desvantagem desse tipo de pilar está na sensibilidade à técnica de desgaste, uma vez que desgastes incorretos podem determinar o comprometimento desses pilares a médio ou longo prazo.
A sua personalização para obtenção de um perfil de emergência adequado é realizada de forma semelhante à de um preparo dentário com brocas específicas em virtude da dureza do material.
Os exemplos de marcas comerciais são:
Os sistemas computadorizados laboratoriais são baseados na tecnologia CAD-CAM para a produção industrial de pilares com as dimensões determinadas pelo protesista.
Esses pilares estão sendo cada vez mais utilizados. Várias são as indústrias que lançam e lançaram equipamentos para produzi-los.
O sistema CAD (Computer Assiste Design) é o desenho computadorizado do abutment. Poderá́ ser realizado diretamente no computador, onde, de forma fácil e rápida, o operador seleciona o contorno, alinhamento, a angulação e o término da margem, ou através do enceramento convencional para o escaneamento com escaner específico.
Após a conclusão dessa fase, o planejamento é enviado via modem para as unidades de produção, onde o sistema CAM (Computer Assisted Machine), por meio de prensagem, fresagem e/ou eletroerosão, confere a forma desejada à conexão.
O pilar UCLA foi desenvolvido na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Constitui-se em um tubo acrílico que se acopla diretamente sobre o implante (próteses não-segmentadas) e pode ser adaptado idealmente à maioria das situações clínicas, através do enceramento.
Posteriormente, ele é transformado em um pilar metálico através de um processo convencional de fundição.
Esse componente pode ser recomendado tanto para próteses cimentadas quanto para próteses parafusadas.
Os pilares bola ou sistemas similares são utilizados para a retenção de sobredentaduras, quando se decide trabalhar deixando os implantes individualmente.
Embora esses métodos sejam simples e econômicos, é discutido na literatura que a melhor solução para ferulizar o implante é através das barras.
Inicialmente, antes da prova da prótese finalizada, é necessário analisar e provar a infraestrutura, que será posicionada na cavidade bucal do paciente e verificada em oclusão.
Esse procedimento tem a finalidade de conferir se existe espaço suficiente para a aplicação do material de recobrimento (geralmente a cerâmica).
Além disso, nessa fase de prova é necessário visualizar se os pilares dos implantes estão bem adaptados à estrutura, de forma que o assentamento intraoral seja passivo, exato e condizente à reprodução no modelo de trabalho de gesso.
Após a prova da infraestrutura metálica, vem a etapa de prova da prótese com recobrimento realizado (de acordo com o material de escolha).
Quando a peça apresenta um assentamento correto, posteriormente já se realiza o ajuste oclusal no paciente.
Nessa fase, os mesmos parâmetros das próteses convencionais são utilizados, que seguem as posições de oclusão cêntrica, máxima intercuspidação habitual, em protrusão e em lateralidade.
No momento em que se verifica a oclusão da coroa ou da prótese, e a posição da peça encontra-se adequadamente instalada, onde todo o conjunto se encontra em equilíbrio no sistema estomatognático, o cirurgião-dentista enviará a prótese ao laboratório para a realização do polimento final da peça e aplicação do glaze.
Quando o trabalho volta do laboratório, as próteses são finalmente instaladas e parafusadas, agora aplicando o torque na peça, com uma força ideal recomendada pelo fabricante.
Então, o aceso ao parafuso é vedado e protegido (cobertos com o uso de teflon e finalizados com resina).
Ainda, é muito importante obter tomadas radiográficas a fim de avaliar o assentamento correto da coroa ao implante.
Apesar da elevada taxa de sucesso em implantes, complicações podem ocorrer, acarretando o fracasso do tratamento. Alguns pacientes podem apresentar complicações após a instalação da prótese sob implante.
Existem dois tipos de complicações que podem ocorrer, sendo elas as biológicas e as mecânicas.
As complicações de causa biológica podem ocorrer por processo inflamatório e infeccioso (causando mucosite e peri-implantite) ou em consequência de sobrecarga biomecânica.
Já os problemas de causa mecânica ocorrem por sobrecarga oclusal, gerando estímulos nocivos na interface implante e osso, danificando o equilíbrio de remodelação óssea e ocasionando fadiga dos implantes no decorrer dos anos. Por isso, um bom planejamento é fundamental.
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