Idealizar um consultório sem autoclave é algo impensável, já que é um dos itens que deve estar como prioridade na lista de quem sonha em abrir a própria clínica.
O aparelho, crucial para realizar a esterilização de materiais, é um grande aliado não só da odontologia, mas também de áreas como estética, veterinária, medicina e laboratorial, o que o torna ainda mais importante em diferentes espaços.
Apesar de ser um grande herói da tecnologia na área da saúde, você já se perguntou como funciona o equipamento? Como escolher a autoclave certa? Quais marcas valem a pena investir? Se as dúvidas são muitas, continue a leitura e descubra tudo o que você precisa saber a respeito do aparelho!
O que é autoclave?
A autoclave é um equipamento projetado para esterilizar diversos tipos de instrumentos, ferramentas e utensílios, como cosméticos, produtos laboratoriais, cirúrgicos, odontológicos, equipamentos de clínicas de medicina estética, salões de beleza e estúdios de tatuagem e piercing.
O dispositivo utiliza o princípio de esterilização por calor úmido para eliminar micro-organismos e patógenos presentes nos materiais. O princípio básico é que o vapor pressurizado é utilizado para esterilizar o conteúdo dentro da câmara.
Vale dizer que ela é utilizada em ambientes onde é necessário total segurança em termos de qualidade sanitária, como hospitais, consultórios médicos e odontológicos, laboratórios de pesquisa e demais estabelecimentos de saúde. Isso ocorre porque a esterilização adequada previne infecções cruzadas e garante a saúde dos pacientes e profissionais.
Além disso, outros setores que utilizam incluem a indústria farmacêutica, de alimentos e laboratórios de biologia molecular e genética, onde também é necessária a esterilização na autoclave de equipamentos e materiais de trabalho.
A história da autoclave é muito mais antiga do que imaginamos. Podemos dizer que ela começa muito antes do próprio aparelho existir.
De acordo com o artigo “Esterilização: um breve histórico”, a introdução da anestesia em 1842 e, posteriormente, em 1846, fez com que cirurgias pudessem se tornar realidade, especialmente durante guerras, quando eram mais necessárias.
Porém, mesmo com o desenvolvimento das técnicas de procedimentos, as taxas de mortalidade por infecção no pós-cirúrgico continuavam altas. Estima-se que em 1870, em Paris, a taxa de amputação por infecção chegou a 100%. Entretanto, durante essa época, um nome importante surgiu para trazer a reflexão sobre a esterilização, o do médico-obstetra Ignaz Semmelweis.
Semmelweis notou que o número de mortes pós-parto era maior em uma casa de partos em que atuavam estudantes de medicina que tinham contato com cadáveres. Enquanto que, em um segundo estabelecimento, em que apenas parteiras atuavam, a mortalidade era consideravelmente menor.
Após o falecimento de um amigo, que foi infectado por um bisturi durante uma necropsia, Semmelweis reparou semelhanças entre o exame do seu conhecido e das mortes pós-parto, o que o fez entender a importância de lavar as mãos antes de procedimentos.
O médico indicava o uso de hipoclorito de cálcio para a higienização das mãos, o que, de fato, ajudou a diminuir o número de mortes. Porém, a classe médica da época não aceitava a introdução dessa técnica.
Anos depois da morte de Semmelweis, os estudos do médico foram reconhecidos e a teoria dos germes da doença que, como o nome explica, indica que os micro-organismos são causadores de grande número de enfermidades, foi proposta.
Pasteur, também conhecido como pai da microbiologia, desenvolveu processos de desinfecção e esterilização, inclusive do retardo da decomposição dos alimentos.
Outro nome fundamental foi o do médico Joseph Lister, que introduziu métodos de assepsia em cirurgias por meio de agentes químicos, como o ácido carbólico, para limpar tesouras e, até mesmo, feridas.
Os processos podem ser, basicamente, divididos em cinco:
Pré-vácuo.
Rampa de aquecimento.
Etapa de exposição.
Secagem.
Restabelecimento da pressão atmosférica.
O material a ser esterilizado deve ser encaminhado lavado e embalado para o dispositivo. Em seguida, a temperatura ficará bem elevada e, durante um determinado período, o objeto posto dentro do aparelho entrará em contato com vapor de água sob pressão — elemento responsável por destruir a carga microbiana. Vamos entender melhor cada passo a passo do funcionamento a seguir!
De acordo com o artigo “Princípio da esterilização por calor úmido — como funciona uma autoclave”, a primeira etapa do processo é o pré-vácuo, em que todo o ar interior da câmara é removido por meio de pulsos alternados de vácuo e injeção de vapor.
Após alcançar o nível pré-determinado de vácuo, a válvula de injeção de vapor na câmara interna é aberta para que seja atingida uma taxa próxima ou acima do zero, dando, assim, o chamado pulso de vácuo.
Essa etapa pode ser repetida diversas vezes, com o objetivo de remover totalmente o ar interior dos materiais a serem esterilizados.
A fase de rampa de aquecimento é a próxima. Aqui, o vapor começa a ser injetado por uma válvula, até a autoclave alcançar a temperatura certa.
Em seguida, vem a etapa de exposição, que consiste em aguardar que o vapor penetre em todo o material que será esterilizado.
Depois, vem a secagem, que consiste, novamente, no funcionamento da bomba de vácuo, para que a câmara fique sem oxigênio. A retirada do vapor faz com que o processo de drenagem aconteça.
Por último, é restabelecida a pressão atmosférica dentro dos pacotes e o vácuo do interior da câmara é quebrado.
Nesse momento, é importante se atentar ao filtro de aeração, que deve estar com a manutenção em dia para que, ao injetar ar novamente, não passe nenhum agente contaminante.
No vídeo do canal Carlos Maciel, você confere como acontecem os processos por dentro do equipamento.
O processo de utilização pode variar dependendo do modelo e do fabricante, mas geralmente segue alguns passos básicos. Confira na sequência o que fazer!
Certifique-se de que não há resíduos ou objetos estranhos dentro da câmara. Ela deve estar limpa e em boas condições de funcionamento.
Verifique se os materiais são compatíveis e se podem ser submetidos ao calor úmido sob pressão. Plásticos sensíveis ao calor ou materiais inflamáveis, por exemplo, não devem ser colocados na autoclave.
Materiais que podem ser colocados para esterilização incluem bandejas, porta-limas, porta-brocas e outros acessórios odontológicos.
Outros instrumentos permitidos são agulhas com componentes, plásticos não desmontáveis, enxertos de acrílico, cateteres, drenos e tubos de poliestireno. Para ter certeza: verifique com o fabricante se o utensílio é esterilizável ou não.
Isso inclui desmontar instrumentos, fazer a sanitização e agrupá-los em embalagens adequadas. Siga as diretrizes e recomendações do fabricante quanto à preparação dos materiais.
É recomendado utilizar embalagens próprias para autoclave, como envelopes, sacos de papel ou recipientes rígidos. Os invólucros devem permitir a saída do ar durante a esterilização e proteger os materiais contra a recontaminação após o processo.
Insira informações relevantes, como a data de esterilização, o conteúdo, o nome do item ou número de identificação, entre outros dados necessários.
Coloque as embalagens dentro da câmara, seguindo as recomendações do fabricante quanto à disposição dos materiais. É importante não sobrecarregar a câmara para garantir um processo de esterilização eficiente.
Com segurança, confira se a vedação está correta e se a pressão da câmara está adequada.
Consulte o manual do fabricante para saber qual é o programa ou ciclo de esterilização apropriado para os materiais que você está utilizando.
Aguarde o tempo necessário para a conclusão do ciclo. Isso pode variar dependendo do modelo e do tipo de material a ser esterilizado.
Após o término do ciclo, aguarde o resfriamento antes de abrir a porta. Isso serve para evitar a exposição ao vapor quente e garantir a segurança do operador.
Verifique se os materiais estão corretamente esterilizados. Isso pode ser feito por meio de indicadores químicos ou biológicos na fita de autoclave, que confirmam a eficácia da esterilização.
Agora que você sabe a história do dispositivo, como funciona e como usar, chegou o momento de conhecer os tipos, que podem ser encontrados nos modelos gravitacionais, de alto vácuo, de vácuo único e vácuo fracionado. Além da apresentação das opções por formato: horizontal e vertical.
Tradicional no mercado brasileiro, neste modelo, o ar é removido da câmara por gravidade, por meio da injeção de ar quente que retira o frio por uma válvula na parte inferior. Esse tipo é muito comum em laboratórios, entretanto, não é recomendado para esterilizar objetos porosos, e sim metais, ou seja, sólidos desembalados.
Com o auxílio de uma bomba de vácuo, o ar é removido do interior e, em seguida, é introduzido o vapor em alta pressão na câmara interna. É o modelo considerado mais seguro, já que conta com alta capacidade de sucção do ar.
Além disso, é muito versátil e permite a esterilização de diferentes tipos de materiais e insumos, o que o torna um modelo universal, sendo mais vantajoso para clínicas e hospitais que possuem maior volume de instrumentos ou que necessitam de um método mais completo e eficiente.
Em uma única vez e rapidamente, todo o ar é removido da câmara. Este tipo pode oferecer algumas desvantagens, como a formação de bolhas de ar, que atrapalham a eficácia da esterilização.
São comuns em consultórios médicos e odontológicos de pequeno e médio porte, pois são compactas e possuem custo mais acessível em comparação com modelos maiores e mais complexos, como as de alta capacidade com porta dupla.
Comparando ao modelo anterior, este oferece um pouco mais de segurança. A remoção do ar acontece simultaneamente com a injeção de vapor.
Em relação ao formato, você pode encontrar no mercado os horizontais e verticais. A diferença vai além da estética ou do design, e toca na qualidade.
As horizontais são mais eficazes no processo de esterilização graças às paredes duplas, que contêm um espaço entre elas para que o vapor circule e, dessa forma, mantêm a temperatura interna da câmara. Geralmente, esterilizam objetos sólidos, como materiais e instrumentos odontológicos.
O equipamento possui aplicações em diferentes setores. A autoclave na odontologia e em outras áreas da saúde serve para esterilização de materiais médicos e equipamentos cirúrgicos, garantindo a segurança dos pacientes.
Nos laboratórios, esteriliza meios de cultura, reagentes e equipamentos utilizados em análises. Na indústria alimentícia, o dispositivo elimina bactérias e fungos, assegurando qualidade, durabilidade e segurança dos produtos. Além disso, no setor industrial, participa do tratamento térmico para fármacos, cosméticos, bebidas e produtos eletrônicos.
Para garantir o bom funcionamento e a segurança, é importante adotar os seguintes cuidados:
Verifique o nível de água destilada para autoclave antes de ligá-la, uma vez que a resistência pode queimar se houver pouco volume.
Certifique-se de que os materiais estejam adequadamente embalados em invólucros esterilizados.
Realize a limpeza para evitar acúmulo de sujeira.
Registre os ciclos de esterilização em autoclave.
Faça a manutenção regular conforme as instruções do fabricante.
Siga todas as normas de biossegurança.
A escolha requer muito cuidado, afinal, a autoclave tem valor alto que requer um bom investimento devido às necessidade de uso.
Por isso, antes de comprar, é preciso pensar em alguns fatores, como o espaço disponível, o tamanho dos objetos que serão esterilizados e a frequência de uso. Em seguida, você confere alguns pontos para ajudar na decisão.
Sem dúvidas, este é um ponto fundamental a ser considerado antes de começar a sua pesquisa pelo dispositivo. Como já vimos, existem diversos tipos de esterilização e que devem ser adequados com diferentes materiais.
Por exemplo, se for esterilizar objetos porosos, claramente não poderá optar por uma gravitacional. Conheça bem os materiais que compõem os itens a serem autoclavados, assim como o tamanho deles, pois isso também influenciará na escolha.
Além dos tipos já citados, é importante conhecer as classificações, que são B, N e S.
Específicas para materiais odontológicos e capazes de esterilizar embalados e desembalados, instrumentos, materiais têxteis, porosos, sólidos e ocos.
Não consegue esterilizar diferentes tipos de materiais, como têxtil e poroso. São indicadas para objetos pequenos, planos e simples, como bisturis, e itens desembalados, preferencialmente.
Apesar de serem mais eficazes que as N, ainda não conseguem limpar o produto têxtil.
Pensar no espaço disponível e averiguar a capacidade necessária são dois pontos que devem andar juntos. Afinal, você necessita de uma estrutura que comporte o dispositivo que faz jus às suas demandas.
Antes de escolher, tire as medidas do local onde o aparelho vai ficar e, claro, verifique o tamanho dos itens que precisam passar pela autoclave. Essas duas informações vão ajudar a fazer a escolha certa.
A rotina do consultório odontológico ou de outros serviços que necessitam de materiais esterilizados requer agilidade, sobretudo se a sua agenda está sempre cheia. Para se adaptar ao seu dia a dia, o ideal é um equipamento que ofereça secagem rápida.
Na hora de pesquisar sobre o aparelho ideal, tente conhecer um pouco mais sobre os ciclos oferecidos. As modernas têm opções muito boas e que são grandes aliadas da rotina.
Por ser um aparelho de investimento alto, é importante optar por um fabricante que ofereça segurança por meio de garantia com bons prazos e suporte técnico eficiente.
Lembre-se que, dentro da clínica odontológica ou de outros estabelecimentos de saúde e bem-estar, há exigências sanitárias, e uma delas são os materiais esterilizados. Sem eles, o trabalho ficará impossibilitado e, consequentemente, você terá que desmarcar horários e ter o retrabalho de organizar a agenda.
Como já vimos, a escolha do melhor equipamento está associada a muitos fatores, como os tipos de objetos com os quais você trabalha, o espaço disponível para acomodar o aparelho e a sua área de atuação.
A autoclave para manicure, clínicas estéticas, estúdios de tatuagem e consultórios pequenos são as de menor capacidade. Por serem ambientes que trabalham com peças de tamanho reduzido, um aparelho de 5 litros pode servir muito bem.
Uma boa dica de equipamento com capacidade de 5 litros é a autoclave Cristófoli, modelo Vitale, que esteriliza os instrumentos por meio de vapor saturado sob pressão. Por ter tamanho menor e preço acessível, ela é uma mão na roda, especialmente para manicures, tatuadores, podólogos, body piercers e esteticistas.
Ela é equipada com um programa de esterilização eficiente, completo em apenas 38 minutos, e um sistema de microcontrolador com LEDs para indicar o status do processo. Além disso, possui 21 sistemas de segurança, rastreabilidade e ajuste de altitude, oferecendo confiabilidade ao usuário.
A garantia desta autoclave pequena oferece cobertura por 24 meses.
Se você necessita de espaço maior, o ideal é contar com um aparelho de capacidade média. É possível encontrar os de 12 litros, assim como os de 17 litros.
Nesses tamanhos, as autoclaves já passam a ser indicadas para laboratórios, consultórios odontológicos, clínicas médicas e outros ambientes da área de saúde. Entretanto, se você é proprietário de um grande salão de beleza que possui alta demanda, os aparelhos de capacidade média podem ser boas escolhas.
Também da Cristófoli, a Vitale Classe CD oferece qualidade, segurança e eficácia, além de design moderno e minimalista, com leitor digital. O modelo vem com o sistema de desbloqueio para a segurança do aparelho.
Esta autoclave acompanha:
A garantia é de 24 meses.
Para quem busca um equipamento um pouco maior, a Elite, da Bio Art, é uma excelente escolha. Este modelo consegue controlar, monitorar e registrar ciclos em um único lugar, ideal para esterilizar materiais. Ela conta com ciclos automáticos e pré-programados.
O aparelho vem com função para realizar manutenção preventiva. Após o uso por algumas vezes, emite um aviso da necessidade de acionar o ciclo.
Para ambientes hospitalares, clínicas maiores e grandes consultórios, é necessário escolher um aparelho de maior capacidade, garantindo também uma rotina mais ágil e prática.
Para quem tem demanda maior e precisa de mais volume, sem perder a qualidade na esterilização, o modelo Vitale Class da Cristófoli é a solução. O equipamento é de classe S e é ideal para artigos e instrumentos embalados de maneira apropriada. Ela conta com 21 sistemas de segurança e ajuste de altitude para regiões específicas. Além disso, possui sistema de proteção e rastreio com bloqueio eletrônico.
A garantia é de 24 meses.
Como podemos ver, existe um grande leque de modelos de autoclave disponíveis no mercado, pertencentes a diferentes classes e com sistemas de esterilização distintos. Portanto, antes de adquirir o seu equipamento para esterilização de materiais odontológicos, é preciso conhecer esses pontos e analisar qual o aparelho ideal para as suas necessidades.
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