Dentista, você conhece e segue corretamente o passo a passo do Diagnóstico da Hipersensibilidade?

Nas últimas décadas, as estratégias de prevenção e a mudança de hábitos da população fizeram com que os pacientes passassem a procurar, cada vez mais, os consultórios odontológicos por alterações não relacionadas a presença de bactérias, como a Hipersensibilidade Dentinária (HD).

Essa alteração ganhou destaque e preocupação nos últimos tempos quando as pesquisas demonstraram um aumento em seus índices de incidência.

Por isso, hoje a HD é considerada como uma doença.

Protocolo

A HD é caracterizada por uma dor aguda e de curta duração originada de um esmalte vulnerável e de uma dentina cervical exposta a estímulos térmicos, evaporativos, táteis, osmóticos e/ou químicos que não pode ser atribuída a outra forma de defeito ou patologia dental.

De acordo com Soares e Machado (2019), de modo mais atual e cientificamente aplicada, a HD pode ser considerada um processo patológico de etiologia multifatorial, cujos mecanismos de estresse mecânico (tensão), atrito (fricção) e erosão/ biocorrosão (degradação química) estão presentes, e são dependentes de estímulos (físicos, químicos, osmóticos, de pressão ou de temperatura) em túbulos dentinários expostos supragengivais, subgengivais (região do sulco gengival) e abaixo de defeitos estruturais e trincas de esmalte desencadeando dor com sintomatologia aguda e de curta duração.

Assim, logo na primeira consulta, devemos realizar o diagnóstico, passo importante que determinará a sequência de procedimentos a seguir. O diagnóstico deve envolver etapas, iniciando por uma anamnese detalhada do paciente até a análise oclusal, diário de dieta e identificação de hábitos. Como a HD está intimamente ligada aos hábitos do paciente, avaliar a história médica-odontológica e entender a queixa principal são requisitos muito importantes.

Além disso, deve-se registrar a frequência, duração e severidade da dor. É importante destacar que fatores como o estado emocional e psicológico do paciente, hábitos ocupacionais, hábitos de higienização, informações sobre doenças gástricas, distúrbios temporomandibulares, hábitos parafuncionais e medicamentos também devem ser registrados para auxiliar no diagnóstico.

Passo a passo do Diagnóstico:

  1. Anamnese detalhada: história médicaodontológica; registrar a frequência, duração e severidade da dor. Observar estado emocional e psicológico do paciente, hábitos ocupacionais, hábitos de higienização, informações sobre doenças gástricas, distúrbios temporomandibulares, hábitos parafuncionais e medicamentos de rotina.
  2. Exame clínico extraoral: palpação dos músculos mastigatórios para verificar possíveis sintomas que levem a sugestão de apertamento, bruxismo ou outra disfunção.
  3. Exame intraoral: avaliação global de toda cavidade oral, seguindo por tecidos moles (o periodonto deve ser analisado com cuidado, buscando recessões gengivais e classificandoas segundo Miller) e duros (presença de biofilme visível ou cálculo, restaurações, lesões cariosas ou qualquer defeito ou alteração da rugosidade superficial dos dentes. A região da JAC deve ser minuciosamente avaliada, buscando tanto lesões Passo a passo do diagnóstico de cárie, quando LCNC e exposição dentinária).
  4. Análise oclusal: associar ao exame clínico e montagem em articulador semi-ajustável ou utilizar tecnologias digitais.
  5. Análise do perfil e parâmetros salivares: análise de fluxo salivar e capacidade tampão.
  6. Análise do perfil alimentar: diário de dieta e identificação de hábitos alimentares.
  7. Processo de higienização: avaliação da técnica de escovação e indicação de cremes dentais específicos (elmex com fluoreto de amina para pacientes que não apresentem hipersensibilidade dentinária e elmex Sensitive para pacientes que apresentem dor, ao final do tratamento).
  8. Diagnóstico específico de HD: detectar e quantificar a dor através do jato de ar (2 segundos, perpendicular à superfície, a 1cm da lesão).

Considerações Finais

Os relatos de aumento nos índices de prevalência da HD sã o cada dia maiores. Nesse material foram apresentadas estratégias preventivas para os grupos de risco da HD.

O papel do cirurgião-dentista nesse processo é trabalhar com os pacientes para identificar seus riscos individuais, bem como trabalhar com profissionais de outras áreas, visando sempre a realização de planos preventivos específicos para cada situação.

A educação, mudança de hábitos e colaboração do paciente são fatores essenciais para o sucesso da prevenção e melhoria da qualidade de vida da população.