A busca pelo sucesso endodôntico inicia-se com um correto diagnóstico e planejamento do caso.
No entanto, o conhecimento anatômico e técnico das etapas protocolares também é indispensável para um bom prognóstico, obtenção da longevidade e manutenção desses elementos dentários na cavidade oral.
Ao mesmo tempo, sabe-se que um dos principais fatores de insucessos em tratamentos endodônticos é a persistência de infecção microbiana.
Para combatê-la é importante realizar uma correta desinfecção dos canais radiculares, além da manutenção dessa condição através do aprisionamento de microrganismos remanescentes e interrupção do suprimento de nutrientes para impedimento de uma recontaminação.
Essa condição é atingível através de um protocolo de obturação que proporcione selamento tridimensional.
Ao longo do texto, veja as principais técnicas que podem ser empregadas para obturação de canais radiculares a fim de alcançar os melhores resultados em sua prática endodôntica.
Uma obturação satisfatória começa com um bom preparo químico-mecânico que trará as condições favoráveis ao travamento do cone de guta-percha no milímetro final do comprimento de trabalho.
Atualmente, preconiza-se que o comprimento real de trabalho deve ser similar ao de obturação, que é localizado exatamente no batente/stop/matriz apical previamente estabelecido, onde o cone deve ser inserido e travado — com discreta resistência de deslocamento.
Além disso, é relevante o entendimento anatômico acerca das ramificações laterais presentes nos canais principais, pois estas constituem vias de comunicação com os tecidos perirradiculares.
O que traz também a necessidade de um selamento lateral satisfatório que pode ser alcançado com o preenchimento fluído através de cimentos endodônticos com boa capacidade biológica e cones de maior calibre (a partir do terço médio ou técnicas de condensação lateral).
O uso de substâncias quelantes como o EDTA é sugerido em busca da remoção da smear layer que favorece a penetração do cimento obturador nos túbulos dentinários.
Por fim, para um perfeito selamento e manutenção dessa condição, a restauração coronária deve ser realizada o mais brevemente possível.
Isso porque em contato com os fluidos orais o cimento endodôntico sofre solubilização, e os microorganismos encontram condições favoráveis à sua colonização (ou recolonização) alcançando os tecidos perirradiculares pelo forame apical e/ou por ramificações.
É importante que o cirurgião-dentista compreenda que a obturação endodôntica só deve ser realizada quando as seguintes condições tiverem sido alcançadas:
De fato, diferentes abordagens podem ser utilizadas, no entanto essa escolha deverá ser pautada na técnica de instrumentação prévia e no diâmetro anatômico do canal radicular. Muito embora a base de todas seja a mesma, e já citada anteriormente: selamentos apical, lateral e coronário.
Independentemente da técnica, a seleção de um cone que deverá alcançar o comprimento real de trabalho deve seguir os seguintes critérios de avaliação:
O cone selecionado é levado ao canal radicular até a profundidade máxima de penetração já pré-estabelecida, com o auxílio de uma pinça deve ser levemente marcado através de uma deformação na altura do ponto de referência.
Logo após removido do canal, é confirmado o comprimento correto com uma régua calibradora.
Avaliação realizada concomitante a prova visual, consiste em analisar o travamento da ponta do cone na constricção apical, quando ele alcançar o comprimento desejado.
Caso não ocorra esse travamento, o cone deve ser ajustado com uma régua calibradora ou substituído por um de maior calibre.
Apenas após as etapas prévias é que uma radiografia periapical deverá ser realizada. Avalia-se o comprimento atingido e só assim é possível partir para a etapa obturadora.
Importante salientar que o uso do localizador foraminal é fortemente recomendado e, em casos específicos, pode haver uma discreta mudança de local entre a saída foraminal e o vértice da raiz.
A Técnica de Condensação Lateral é considerada uma técnica de obturação clássica e uma excelente opção para canais mais amplos, visto a necessidade de preenchimento de um maior espaço vazio.
Consiste na inserção sucessiva de cones auxiliares ou acessórios lateralmente a um cone principal adaptado no comprimento de trabalho. Para a aderência desse conjunto, um cimento endodôntico é utilizado.
Como etapas operatórias da técnica, temos:
Diante da dificuldade técnica do preenchimento com múltiplos cones, principalmente em dentes posteriores, autores na década de 70 já preconizavam o uso de cones acessórios de maiores conicidades.
Instrumentos com pontas seccionadas para obtenção de diâmetros análogos aos das pontas dos instrumentos memória e que, quando aquecidos, são capazes de preencher o canal radicular por completo (apenas com a condensação vertical mais o auxílio do cimento).
No entanto, com o advento de técnicas de preparo químico-mecânico modernas por meio da utilização dos instrumentos de níquel-titânio, a técnica de cone único tem proporcionado mais agilidade aos tratamentos endodônticos.
Esta segue a mesma lógica que a Condensação Vertical, no entanto os cones utilizados são correspondentes, especificamente fabricados e compatíveis ao sistema de limas NiTi utilizado.
Nela, as irregularidades do canal radicular são preenchidas com cimento obturador.
Como etapas operatórias da técnica, temos:
Por fim, o sucesso da endodontia tem como terceiro e último pilar o preenchimento dos canais radiculares, visto que as etapas antecessoras não são capazes de eliminar completamente o conteúdo contaminado.
Desta forma, em busca da interrupção do processo infeccioso, manutenção dessa condição e estimulação do reparo perirradicular, é importante que o cirurgião-dentista esteja habilitado e alinhado as técnicas e conceitos filosóficos acerca da obturação de canais radiculares e suas aplicações nos diferentes casos clínicos.
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